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GUIA

Escolher o artista de referência de um type beat: o som, a demanda e o espaço

13 MIN DE LEITURA

O nome escrito antes de “type beat” decide quase tudo o que acontece com o vídeo: para quem o YouTube o mostra, ao lado de quais outros vídeos ele aparece e o que a pessoa espera ouvir ao clicar. Os outros guias dizem onde colocar esse nome — no começo do título, grande na thumbnail, escrito igual em todo lugar — e quantos manter para um canal se sustentar. Nenhum diz como escolhê-lo. É disso que este trata: três perguntas numa ordem precisa — o beat soa mesmo como ele, alguém procura por ele, ainda sobra espaço — e depois como manter uma lista curta de nomes e quando abandonar um.

SUMÁRIO

O ESSENCIAL

  • O artista de referência é uma promessa sobre o som, não uma palavra-chave: o beat precisa segurar até o primeiro refrão quem veio por aquele artista.
  • Três filtros, nesta ordem: o som, a demanda, o espaço. Um nome que falha no primeiro nunca é salvo pelos outros dois.
  • A demanda se lê na barra de busca, não na fama do artista: um nome enorme pode ser uma busca saturada, e um nome médio, uma busca procurada e menos lotada.
  • O espaço se lê na primeira página de resultados: a idade dos vídeos, o tamanho dos canais e, principalmente, se vídeos recentes de canais pequenos fazem views ali.
  • Dois ou três nomes principais e alguns vizinhos para testar, não um nome novo a cada lançamento. Um nome se julga em vários vídeos, nunca em um só.

01Por que essa escolha pesa mais que o título do beat

Um vídeo de type beat encontra seu público por duas portas. Primeiro a busca: um rapper digita “[artista] type beat”, às vezes com uma palavra de clima ou “free”, e o nome do artista é a única palavra da busca que realmente muda. Depois as sugestões: o YouTube oferece o seu vídeo ao lado dos que assistem as pessoas que ouvem aquele artista. Nos dois casos, é o nome que faz o desvio. O título do beat, a sua tag e o BPM só vêm depois.

A consequência é que o nome também decide quem chega ao vídeo, e portanto o que acontece depois. Um nome que corresponde ao som traz gente que fica, e um vídeo que segura é mais sugerido. Um nome que não corresponde traz cliques e depois abandono nos primeiros segundos — e quem decide o resto é o tempo de exibição, não o clique. Escolher o artista não é, então, “achar uma palavra-chave que funciona”: é escolher o público a quem você apresenta o beat.

02Primeiro filtro: o beat soa mesmo como ele?

“Soar como” não quer dizer “mesmo gênero”. Dois rappers de drill podem ter produções que ninguém confundiria. O que faz um ouvinte reconhecer o universo de um artista depende de poucos elementos precisos, e são eles que você compara — nas faixas recentes dele, não no hit que o tornou conhecido: um artista muda de som, e a busca “[artista] type beat” mira o que ele lança agora.

O que você comparaComo ouvirO sinal de que não encaixa
O andamento e a sensação de velocidadeBata o pulso em duas ou três faixas recentes dele e anote a diferença.O seu beat fica claramente fora do que ele costuma rimar, para cima ou para baixo.
A bateriaOuça só os hi-hats, a caixa e o baixo: onde caem, seus rolls, seus slides.O groove pede outro flow que o dele, mesmo que os sons sejam parecidos.
A paleta de sonsAnote o que se repete: piano, guitarra, cordas, vozes sampleadas, pads, metais.O instrumento principal do seu beat nunca aparece no som dele.
O espaço deixado para a vozRepare onde fica a melodia quando ele rima: na frente, atrás ou ausente.O seu loop ocupa exatamente o espaço onde a voz dele entra.
O climaDescreva as três últimas faixas dele com uma palavra cada, sem pensar.A palavra que descreve o seu beat não é nenhuma das três.
Um beat não precisa marcar as cinco linhas. Mas se errar duas, o nome vai atrair gente que ele não consegue segurar.

O teste final é o mesmo do guia sobre republicar um beat: alguém que veio por aquele artista fica até o primeiro refrão? Mostre o beat para alguém que conhece o artista, sem dizer o nome, e pergunte de quem ele lembra. Se o nome que a pessoa disser não for o seu, escute: talvez seja esse o certo.

O BPM e o tom: pistas, não prova

Um andamento dentro da faixa habitual do artista é condição necessária, nunca suficiente: a maioria dos beats de um mesmo gênero cabe na mesma faixa. Desconfie também do número em si. Um detector pode ler metade ou o dobro do andamento que você sente, e um beat com sensação lenta pode ser escrito com um número alto. O que conta é a velocidade com que o artista encaixa as palavras em cima, não o valor escrito num campo. O tom, por sua vez, não decide quase nada: use-o na descrição, não para escolher o nome.

03Segundo filtro: alguém procura por ele?

Demanda não é fama. O número de ouvintes de um artista diz quanta gente o escuta; não diz quantos rappers procuram um beat no estilo dele, e menos ainda quantos canais já disputam essa busca. A fonte certa é o próprio YouTube, e ela se lê em poucos minutos, sem ferramenta paga.

  1. 1Abrir uma janela anônimaO seu histórico personaliza as sugestões e os resultados. Uma janela limpa mostra o que um desconhecido vê — ou seja, o rapper que você quer alcançar.
  2. 2Digitar o nome seguido de “type”, sem dar enterSe o preenchimento automático propõe “[artista] type beat”, muitas vezes com variações — “free”, um clima, o ano —, a busca é digitada com frequência. Se nada aparece, pouca gente procura. Anote de passagem a grafia que as sugestões usam: é essa que você vai escrever.
  3. 3Fazer a busca e ler a primeira páginaNão as views do primeiro resultado, que pode ter anos: olhe a data de cada vídeo, o tamanho dos canais e a relação entre as duas coisas.
  4. 4Filtrar pelos envios recentesOs filtros de busca permitem ficar só com os vídeos do mês ou do ano. Vídeos recentes fazendo views mostram uma demanda viva; vídeos recentes sem nenhuma view mostram uma demanda já absorvida por outros.
  5. 5Olhar as novidades do artistaUm álbum anunciado, uma faixa que está circulando, uma turnê: a busca por um nome sobe nesses períodos. Um artista que não lança nada há muito tempo costuma manter alguma demanda, mas ela envelhece com ele.
  6. 6Anotar o resultadoUma linha por nome: sugestões sim ou não, o que a primeira página mostra, a data. Daqui a três meses você refaz o exercício, e é a comparação que vai te ensinar alguma coisa.

04Terceiro filtro: ainda sobra espaço?

Uma busca muito procurada cuja primeira página pertence a canais estabelecidos há anos não é oportunidade para um canal que está começando: o vídeo dele existe ali, mas ninguém o vê. Ao contrário, uma busca menos procurada com resultados esparsos pode dar mais views reais. A primeira página diz qual dos dois casos você tem na frente.

O que a primeira página mostraO que isso quer dizerPara um canal que está começando
Vídeos recentes de canais pequenos, fazendo views.A demanda supera a oferta: o YouTube ainda procura vídeos para sugerir.O melhor alvo. É esse o sinal que você procura.
Vídeos recentes de canais grandes, e quase nada além disso.A busca está saturada e ocupada por históricos que você não tem.Guardar como segundo nome, ou para depois.
Principalmente vídeos antigos, com muitas views.A demanda existiu; é preciso checar se ainda existe.Vale testar se o artista ainda está ativo. Senão, deixe de lado.
Poucos vídeos, poucas views, sugestões que não propõem nada.Pouca gente procura esse nome em type beat.Útil como segundo nome num beat que se parece com ele, nunca na frente.
Nenhum limite de views ou de inscritos aqui: eles dependem do gênero, da língua e do momento. O que se lê é a comparação entre os vídeos da mesma página.
1. O SOMO beat soacomo ele?simnão: outro nome2. A DEMANDA ↑3. O ESPAÇO →Procurado,lotadoSEGUNDO NOMEProcurado,sobra espaçoO ALVOPouco procurado,lotadoEVITARPouco procurado,sobra espaçoSEGUNDO NOMEO som primeiro: um nome que não passa pela porta nunca entra na grade.
O som é uma porta, não um critério entre outros: um nome que não passa por ela não entra na grade. Depois, mire a casa onde a demanda existe e ainda sobra espaço.

05Nome grande, nome em ascensão, nome local: o que cada um traz

Os maiores nomes são aqueles a que todo mundo recorre primeiro, e é justamente esse o defeito deles. A demanda é enorme, mas a primeira página está tomada; um canal pequeno quase nunca ganha tráfego de busca ali, só algumas sugestões. Eles têm lugar como segundo nome, num beat que realmente se parece com eles, raramente na frente de um canal que está começando.

Um artista em ascensão oferece a janela mais interessante: os rappers começam a procurá-lo antes que os canais de type beat acompanhem. O risco é ele não subir, e a resposta é simples — não construir um nicho inteiro em cima de uma aposta, e sim dar a ele alguns beats que realmente se pareçam com ele, e observar. As cenas locais cumprem o mesmo papel: um rapper muito ouvido no próprio país e na própria língua costuma estar bem menos saturado em type beat do que um nome americano de fama parecida, e o público dele busca na própria língua.

Dois artistas no mesmo título

A forma “[artista A] x [artista B] type beat” é legítima quando o beat fica realmente entre os dois e os públicos deles se cruzam: os dois nomes se confirmam. O primeiro carrega a busca, o segundo precisa o som. Não é legítima quando serve para fisgar duas buscas que não têm nada a ver: quem veio por um dos dois vai embora em segundos, e o título perde em legibilidade o que achava ganhar em alcance. Na thumbnail, o segundo nome vai na segunda linha, nunca do mesmo tamanho que o primeiro.

06Manter uma lista curta de nomes, e mantê-la viva

O guia sobre o canal de YouTube recomenda dois ou três artistas de referência próximos, porque compartilham um público e os seus vídeos passam a se sugerir entre si. Na prática, isso dá uma lista curta e escrita: esses dois ou três nomes principais, que carregam a maioria dos lançamentos, e alguns nomes vizinhos — mesmo público, som parecido — que você testa de vez em quando. Cada beat recebe o nome da lista com o qual mais se parece. Um beat que não se parece com nenhum não pede um nome novo: pede outro canal, ou a gaveta.

Um nome em teste entra na lista principal quando os vídeos dele vão pelo menos tão bem quanto os dos nomes já estabelecidos, ao longo de vários lançamentos. Sai quando o contrário se repete. É uma decisão lenta por natureza, e é de propósito: um nicho que troca de nomes todo mês nunca se constrói.

Quando abandonar um nome

Julgue um nome em vários vídeos, cada um com pelo menos um mês, nunca em um só. Se todos ficam com pouquíssimas impressões, o nome não abre para você a porta da busca: tire-o da lista para os próximos lançamentos. Se as impressões estão lá mas a taxa de cliques é baixa, o nome não é o culpado — é a thumbnail, e o guia sobre a auditoria de canal ajuda a verificar. E não renomeie em massa os vídeos já publicados: o guia sobre republicar um beat diz quando um vídeo merece trocar de artista, e é um por um.

07O que o BeatRender faz, e o que ele deixa com você

Quando você adiciona um beat, o campo de artistas sugere os nomes de rappers escritos como eles realmente se escrevem, com uma busca para os menos conhecidos: é isso que evita que um mesmo artista exista com três grafias no seu catálogo. O andamento, o tom e o clima são medidos a partir do arquivo e exibidos, o que te dá um primeiro ponto de comparação com o que o artista rima. O nome escolhido preenche depois a variável prevista nos seus modelos de título e de descrição e a camada de texto do vídeo, do mesmo jeito em todo lugar, e o nome sugerido para o beat leva em conta o artista visado sem nunca reaproveitar o nome dele. O que o BeatRender não faz é escolher o artista: ele não lê nem a barra de busca do YouTube nem a primeira página de resultados, e não ouve o seu beat no lugar de um ouvinte. Esses três filtros continuam sendo seus.

08Os erros que custam plays

  • Pegar o artista mais famoso do momento porque ele é famoso: a demanda é real, mas a primeira página pertence a canais com anos de vantagem.
  • Colocar o nome da semana num beat que não soa como ele: o clique sobe, a escuta despenca, e o vídeo é menos sugerido do que seria com o nome certo.
  • Medir a demanda pelo número de ouvintes do artista em vez da barra de busca: não são as mesmas pessoas nem a mesma pergunta.
  • Juntar dois nomes sem relação num título para fisgar duas buscas: cada um dos dois públicos vai embora em segundos.
  • Trocar de artista a cada lançamento: o nicho se dissolve, e os vídeos param de se sugerir entre si.
  • Escrever o mesmo nome de três jeitos conforme o vídeo: a busca, as tags e as playlists partem o seu histórico em pedaços.
  • Dar a entender uma colaboração — “prod. para”, “feat.”, a foto do artista: é a única escolha desta página que pode fazer um vídeo ser removido.

09A checagem antes de fixar o nome

  • Alguém que conhece o artista, e a quem eu não disse o nome, pensa nele ao ouvir o beat.
  • O andamento, a bateria e o clima batem com o que o artista lança hoje, não com as faixas antigas dele.
  • O preenchimento automático do YouTube, numa janela anônima, propõe “[nome] type beat”.
  • Na primeira página, vídeos recentes de canais pequenos fazem views.
  • O nome está na minha lista, ou está anotado como um teste a ser julgado em vários lançamentos.
  • Se eu adicionar um segundo artista, o beat fica realmente entre os dois.
  • O nome é escrito do mesmo jeito no título, na thumbnail, nas tags e na página de venda.
  • Nada no título nem na imagem dá a entender uma colaboração oficial.

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